quarta-feira, 25 de março de 2009

Em Alta Velocidade….para o Poçeirão!!!!

Pensava eu que este governo não dava importância às reais necessidades dos portugueses, mas não! Estava redondamente enganada… Nesta altura de crise, eis que uma das prioridades deste ano é o TGV! A alta velocidade! Finalmente… Há tanto tempo que precisávamos. Nem sei como vivemos hoje em dia sem a alta velocidade. Até que enfim que se dá prioridade ao que realmente interessa. Foi assim com grande alegria que soube ontem pelo jornal que o governo decidiu abrir o concurso público para a construção do troço LISBOA – POÇEIRÃO. Sim, POÇEIRÃO!

A distância entre Lisboa e o Poçeirão são uns longos e penosos 45 km. Mas em breve serão feitos em alta velocidade! Sim, 45 km em alta velocidade…frenético! Fantástico! Eu que tantas vezes quis ir ao Poçeirão, mas depois pensava…xiiii…tanto quilómetro…ainda se fosse em alta velocidade….e desistia. Vivo assim com esta viagem em carteira para fazer há tanto tempo, que nem imaginam. E já viram a minha vergonha? Nunca fui ao Poçeirão…ai ai. Mas não hei-de ser a única. Milhares de portugueses verão o seu sonho tornado realidade: a viagem que faltava: Lisboa- Poçeirão, e agora sem os inconvenientes, longos e atribulados 45 kms. Sim, agora sim! Em alta velocidade! E não só os portugueses beneficiarão desta nobre decisão governamental, também os madrilenos deverão estar radiantes. Sim, porque este troço faz parte do Lisboa - Madrid! Quantos e quantos madrilenos verão também a sua vida melhorada e o seu antigo sonho realizado: visitar o Poçeirão! Desde que esta localidade de 4,304 habitantes foi imortalizada na canção dos James “Oh Poçeirão” (em inglês da música Sit Down) que esta localidade ficou no imaginário de muitos. Refrão: “Oh Poçeirão, Oh Poçeirão, Oh Poçeirão, Poçeirão next to me….” Agora tão pertinho que fica, tão next to me que fica. Uma verdadeira conquista para a humanidade feita pelos portugueses!

Falava só em termos recreativos, mas esquecia aqui os trabalhadores. Quantos e quantos trabalhadores verão o seu dia a dia melhorado. Deve haver imensa gente que mora em Lisboa ou em Madrid e que trabalha no Poçeirão. Imaginam como será agora terem passe social em alta velocidade? Magnífico. E ainda dizem que o governo não pensa nos trabalhadores….más línguas!

Eu até sou da opinião que se dividam os 636 kms que distam Lisboa de Madrid em pequenos troços como este, de 45 kms. Só parávamos umas 14 vezes, mas eu acho que compensaria! Gostaria até de lançar aqui uma petição, para que houvesse mini-troços do TGV em Lisboa, por exemplo a mim dava-me muito jeito o troço Olivais – Damaia. E acho que faz todo o sentido. Não tanto como o troço Lisboa-Poçeirão, mas acho que seria muito bom mesmo. Quem quiser assinar esta petição comentem em baixo (se ainda houver espaço…) que eu em breve abrirei um página para formalizar esta petição. Viva a alta velocidade! Viva o Poçeirão!

terça-feira, 24 de março de 2009

Tata Nano, mais uma ajudinha para o aquecimento global…

Já era falado há muito, e parece que foi mesmo para a frente. O novo TATA NANO foi apresentado há dias no salão de Genebra, e promete revolucionar os transportes na Índia… E não será só os transportes que irá revolucionar com certeza. Vi ontem nas notícias um responsável da empresa falando, a meu ver hipócritamente, sobre os objectivos “sociais” deste projecto. A ideia, segundo ele, era permitir que os Indianos tivessem acesso a carro e daí um carrito tão barato. Sim senhor, é disto que os indianos mais precisam: um carro. Que bela acção humanitária. Vejamos, vamos colocar no mercado um carro baratíssimo (e ainda assim fora do alcance da carteira de muitos) e sem nada. Sim, anda e pouco mais. Não oferece segurança, não tem nenhum extra (ar condicionado, rádio, air bags, etc, etc…), e é curioso: a frente é de plástico. Sim porque quem é pobre não precisa de nada disso. Os indianos deverão estar radiantes e agradecidos a esta empresa tão altruísta, principalmente os 250 milhões que vivem na pobreza absoluta. Com certeza que irão já comprar um carro por 1.500 euros e melhorar a sua qualidade de vida, já já! Mesmo que vivam na rua, com renda inferior a US$ 1 por dia e sem acesso a comida saudável, saúde básica e água potável. De facto é mesmo um carro que faz mais falta aos indianos!

Mas mais que o discurso hipócrita da empresa fabricante, ao afirmarem que fizeram este carro para melhorar a qualidade de vida dos indianos ao promover o fácil acesso a um meio de transporte antes fora das suas possibilidades, o que mais me preocupa são as questões ambientais. Apesar de em termos de emissões poluentes até estar acima das normas em vigor na Índia, para que o carro possa ser comercializado na Europa, terá que sofrer alterações a vários níveis o que fará com que este carro fique 5 vezes mais caro. Estas alterações são a vários níveis e incluem, entre outras, alterações nas condições de segurança do carro (sim, porque os europeus têm que estar mais seguros que os indianos, pois não se podem dar ao luxo de ter acidentes e morrer assim de qualquer maneira….deve ser porque os indianos são muitos) e alterações ao nível das emissões poluentes (sim, porque devemos preservar melhor o ambiente europeu do que o ambiente indiano, pois claro…). Ora, se tal como está este carro não serve para os europeus, porque carga de água serve para ser comercializado na Índia???


A poluição na Índia, tal como a questão da pobreza, é um dos maiores problemas do país. As cidades indianas estão cinco vezes mais poluídas que as cidades europeias. A questão é tão grave que 64% das crianças e ¾ da população feminina sofrem de problemas respiratórios, e até noticiaram em 2007 que o Taj Mahal estava a ficar amarelado devido à poluição!!! E muitos outros factos e estatísticas sobre a poluição na Índia poderia aqui colocar. Ora, dado este quadro ambiental (e de saúde pública!) preocupante será aconselhável colocar este carro em circulação na Índia? No Washington Post escreveu-se há dias "dezenas de milhões de indianos a guiar um automóvel é o fim do mundo em termos de poluição".


Não sou contra o progresso. Sei que a Índia é, em conjunto com outros países, considerada uma economia emergente. Acho bem que os países se desenvolvam e que as suas populações tenham acesso às mesmas condições que nós felizmente temos. Agora, a forma como os países ocidentais de desenvolveram foi a muitos níveis errada, e sofremos todos hoje as consequências de um modelo que se revelou inadequado quer a nível económico, energético, ambiental, e não só. Porque repetir os mesmos erros? Porque não um outro caminho? Porque são mais pobres? A Europa legisla para si, e não intervém quando se coloca um destes carros a circular, com todas as implicações que poderá ter no ambiente? Infelizmente, a realidade é que o dinheiro comanda a vida… Tanta (falsa) preocupação com os países emergentes, e depois… Então venham lá mais uns milhões de carros para ajudar o aquecimento global!!! Não faz mal, estou na Europa e aqui o ambiente é protegido por boas leis… “tá-se bem” aqui. Quando depois os outros lá na Índia não conseguirem respirar, eles que façam leis boas. E depois não me venham pedir o ar da Europa!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Romantismo de Cócoras

Eu sei que as séries e os filmes, tendo como objectivo principal o entretenimento, embelezam muitas vezes a realidade, transformando-a num ideal de (suposta) perfeição. Contudo há coisas que me escapam… e que de facto não entendo. Uma delas, que já há muito me fazia alguma confusão foi-me exposta novamente ontem enquanto via uma série, dessas que considero de “puro entretenimento” que tem como título “Pessoas Lindas” (tradução à letra). Era a primeira vez que via tal série, e é claro que pelo título, as minhas expectativas não eram as melhores. Tanto é que apenas o que me ficou desse episódio inteiro foi mesmo esta questão do “Romantismo de Cócoras” que também não lhe é exclusiva. Por favor não me perguntem sobre o que aconteceu fora das duas cenas que me levam a escrever sobre este tema, porque de facto não me lembro mesmo… tratou-se a meu ver de entretenimento instantaneamente olvidável. Bem, mas voltemos ao que me traz a este assunto. Durante esta série ocorreram as seguintes situações. Cena 1 – duas pessoas (rapaz e rapariga) deixam cair um objecto no chão. De repente baixam-se os dois para o apanhar, ficando os seus rostos muito próximos e depois de um olhar intenso e apaixonado: trufas! Sai um beijo romântico. Cena 2 (qualquer semelhança com a Cena 1 é pura coincidência) – duas pessoas (rapaz e rapariga) escorregam ao mesmo tempo caindo ao chão após diversos trambolhões espectaculares que os fazem rebolar um por cima do outro numa descida frenética monte abaixo. Quando param de rebolar os seus rostos ficam perigosamente juntos, e depois de um olhar intenso e apaixonado, o inesperado acontece: trufas! Sai um beijo apaixonado. Nas duas cenas devo ainda salientar o facto de que este beijo é o seu primeiro beijo de sempre, que aumenta exponencialmente a carga romântica das duas situações, certo?
Ora bem, as minhas questões sobre isto são as seguintes: isto já aconteceu na realidade a alguém? Aconteceu-lhe a si uma situação similar? Conhece alguém a quem lhe tenha acontecido?... A mim nunca me aconteceu tal coisa, não conheço ninguém a quem tenha acontecido e tenho muitas dúvidas sobre a viabilidade de tal se dar na vida real. Como disse no início deste post, eu compreendo as diferenças entre vida real e vida ficcional tal como os objectivos da ficção, e é um facto de que também existem inúmeras coisas que acontecem em ficção e que também nunca me aconteceram, nunca vi acontecer e duvido que possam alguma vez ocorrer na vida real. Mas então qual o meu problema com estas cenas específicas? A sua recorrência. Estão sempre a acontecer. Aliás deve ser o modo mais frequente de duas pessoas se beijarem pela primeira vez em ficção. Com certeza que todos vocês se lembram de situações assim de filmes e séries, e reparem que só neste episódio de uma série, por duas vezes utilizaram a mesma (sim, porque para mim é o mesmo truque) artimanha para colocar o menino e a menina a darem o seu primeiro beijinho apaixonado.
Agora pedia-vos que fizessem comigo por momentos um exercício empático. Para o efeito de tentar analisar quais as verdadeiras hipóteses do beijo romântico ser o resultado final de uma destas cenas, vou tentar colocar-me no lugar de um dos protagonistas das cenas atrás descritas. Por exemplo, vamos começar pela cena número 2, a queda. Imagino então que caio uma queda aparatosa em que rebolo por cima do alvo da minha paixão… primeiro resultado plausível e possível: magoei-me (estranho até que eles na cena 2 não se tenham de facto magoado seriamente….dado a queda aparatosa que foi….). Dói-me qualquer coisa, um pé, uma mão, o rabo…., parti qualquer coisa….primeiro pensamento: beijar quem caiu comigo? Não me parece. Segundo resultado plausível: a outra pessoa magoou-se. Primeiro pensamento: beijá-la romanticamente? Também não me parece. Tudo bem, mas também poderia acontecer que ninguém se tivesse magoado. Então a sequência seria: tropeção, queda, rebolo, e quando tudo acabasse, restaria um clima romântico que levava a um beijo? Depois de uma queda em que ninguém se magoe só consigo visualizar uma situação caricata e cómica. Ria-me, e ria-me até muito porque as quedas dão me vontade de rir. E então beijava romanticamente o meu par entre gargalhadas? Não se esqueçam que seria o primeiro beijo de sempre…. Também não me parece. Agora imaginem ainda um terceiro cenário, caímos, ninguém se magoa, mas a queda também não tem piada nenhuma. Fica uma situação constrangedora, porque ou se rasgou a roupa ou depois da queda se fica numa posição estranha…. Levantar o mais rapidamente possível com um ar constrangido, ou tentando disfarçar a situação, seria o cenário mais provável também. Daria tempo, para antes de levantar e arranjar a roupa, ainda dar um beijo romântico, com os braços e as pernas ainda contorcidos da queda e a roupa toda fora de sítio? Hum….acham normal?
Agora façamos o mesmo em relação à cena 1 que dá o título a este post: após ou durante o acto de apanha de qualquer objecto do chão que havia caído, estando de cócoras, aí está o primeiro beijo entre duas almas apaixonadas….hmmm….vejamos. O cenário mais provável quando duas pessoas se baixam ao mesmo tempo para apanhar a mesma coisa do chão será, em minha opinião, uma valente cabeçada. Depois de uma valente cabeçada no outro, voltamos ás mesmas opções da cena 1: ou alguém se magoou, a sério ou não, ou então foi só uma situação constrangedora. Então depois de uma valente cabeçada em que ainda se está a ver “coisas azuis” (sim, porque eu não vejo estrelas mas vejo coisas azuis), apetece dar um beijo romântico em quem te deu a cabeçada? Também não me parece. Dói a cabeça, ou não. Mesmo que não doa, acham que ficará um clima romântico depois de uma cabeçada, apesar de não ter sido violenta? Também não. Fica novamente um clima cómico ou então constrangedor, dependendo da personalidade dos intervenientes. Mas tudo bem, pode não haver cabeçada. Podemos estar só de cócoras a apanhar coisas do chão. De facto não consigo imaginar cenário mais romântico, vocês conseguem? E aí está, com as mãos sujas e numa posição tão cómoda como é estar de cócoras (se for uma criança, praticante de ioga ou de sexo tântrico, ou estando em excelente forma física), sem estarmos a pensar em manter o equilíbrio, preocupados se as calças vão rebentar, ou se poderá sair inadvertidamente algo embaraçoso, ou até mesmo apenas concentrados na real “apanha” da coisa no chão (como quem agarra o quê primeiro), pensamos eu como nos sentimos tão românticos naquele momento e o que mais nos apetece é dar um beijo romântico e ficar de cócoras, parados naquele momento para sempre! Plausível? Deixo à vossa consideração…. Em minha opinião, não me parece, mas deixo aqui um aplauso a quem acha de sim, porque me parece que para esses de facto o romantismo está de pé!